| De
HOPenhagen a… FLOPenhagen… |
Gigi
Bandler |
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| GRRRRRRRRRRRRR... Faziam as panteras iradas, 9 ativistas feministas e ambientalistas sul americanas e europeas articuladas pelo grupo de teatro feminista brasileiro Loucas de Pedra Lilás de Recife; agitando com sua performance teatral, alguns espaços possíveis da cidade - ruas, hall e seminários da conferência paralela, o Klimafórum, no metro, nas manifestações coletivas. A missão das panteras: lembrar para tod@s que não pode haver justiça climática sem ter também justiça de gênero. | |||||||
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Be ready, be ready, we´re ringing the bell.
We
want climate justice with gender as well! |
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Obama,
Obama, don´t joke with Pachamama! Grrr.... Antes
de começar, a COP15 já trazia para o mundo sua ambigüidade, seu
impasse e sem medo de dizer as palavras sua… falsidade.
É bom lembrar que no inicio de novembro, se anunciava que nenhum
chefe de estado importante (leia se Obama) ia estar presente na Conferência.
Os Estados Unidos declaravam que até 2020 iam reduzir suas emissões de
CO2 de… 10 a 15 %
[1].
Um nada frente aos 40 % exigidos pela sociedade civil organizada do
mundo para que o planeta já ameaçado não amargasse um aumento
superior a 2 graus de
temperatura. Change
the system, not the climate! There is
no planet B! Esses
eram os motes principais da rua onde centenas de organizações,
movimentos sociais e milhares de cidadãs e cidadãos se encontravam,
vindo do mundo inteiro para apresentar suas propostas, pressionar,
interrogar. Pessoas que se
confrontaram muitas vezes com a polícia, que seja dentro ou fora do
espaço oficial. Muitos
jovens, muitas mulheres, muitas raças misturadas. Muita criatividade. E com muita gana de serem ouvidos. Emissions
down! Women´s rights up! .............. |
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| Havia
panteras boliviana, colombiana, mexicana, brasileira, uruguaia,
argentina, suíça e austríaca.
Do Brasil, questionava diretamente o presidente Lula,
perguntando: Oh Lula, oh Lula, você
já cortou cana
? Oh Lula, o Lula, have you
ever cut sugarcane? e sem esperar a resposta, entoavam o canto da
Escrava Isaura, novela internacionalmente conhecida, mimando o ritmo de
trabalho subumano e subpago dos cortadores de cana. Uma alusão clara ao
desastre social (e ambiental) do etanol, o bicombustível, “limpo”
segundo o discurso triunfante do atual governo brasileiro mas visto com
suspeita por muit@s especialistas já que ameaça tirar a terra da produção
de alimentos para a população. Da
região amazônica, as panteras saudavam a amiga Chita, a macaca de Jane
e Tarzan, homenageando-a com uma dança “a caráter”. Depois, sérias,
repudiavam a truculência dos poderosos interesses financeiros (Eles
matam e desmatam – They kill and cut down trees), debochavam do pânico
das bolsas mundiais (the New York
Stock Exchange, the Singapoor poor Stock Exchange), aclarando para
quem ainda não tinha refletido sobre isso, que o problema não era a
pobreza, e sim a má distribuição da riqueza (eat the bankers! Grrrrrrr). Daí a urgente necessidade em democratizar o poder financeiro e garantir a autonomia das pessoas... e das mulheres (Queremos mandar nos bancos centrais e.... no nosso corpo também!). ................ |
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| As
panteras não estavam credenciadas para entrar no Bella Center. Então
elas rondavam tanto no centro da cidade, no metro, na estação, como
irromperam no Klimafórum, conferência paralela da sociedade civil
organizada. Foram sempre
bem acolhidas e convidadas a se apresentar.
Foi
o caso, no grande palco Orange do Klimafórum, frente a um público caloroso reunido para começar a cerimônia do prêmio das maiores
empresas
poluidoras e mentirosas do ano dado pela Angry Mermaid
[5],
a sereia (também) irada. Mas as panteras também estavam esperadas em alguns espaços de discussão para dar seu toque feminista irreverente. Como no seminário REDD in As panteras também chegaram na gostosa e fluída roda de dialogo Reflecting on gender and climate change animada pelo GenderCC, uma organização que articula várias lideranças mulheres ambientalistas do Sul e Norte para visibilizar a desvantagem das mulheres no contexto da crise ambiental. E quem estava no meio da roda, a caráter, o tempo todo? A pantera Claudia, da ONG Fundexpresión (Santander, Colômbia)! Durante o dialogo, não foram poucas as pessoas que entravam na roda e se referiam seja às palavras das panteras, seja à sua irreverência. Segundo estimações aproximativas, um total de hum mil pessoas viram a performance das panteras iradas. Mas estas eram mais conhecidas ainda: aparecerem várias vezes no noticiário da TV Dinamarquesa a noite da quarta feira 16, dia da manifestação frente ao Bella Center, ou para dizer melhor, frente à policia. Sem muito perceber, as panteras estavam na primeira linha do confronto. Tinham se prestado a fazer o cordão que continha os demais manifestantes quando estes avançaram. Ficaram com fama de corajosas... se atracaram com esta policia nada simpática [6], que no entanto, uns minutos antes do choque, tinha conseguido esboçar uns sorrisos desconcertados com estas inimigas, mulheres panteras tão transparentes quanto a seu estado de animo. GRRRrrrrrrrrrrrr! As panteras eram parte da estupefação e indignação coletivas que tomavam conta da sociedade civil organizada presente O passado e o futuro mostram que para a espécie humana sobreviver e sobreviver com qualidade, a consciência e a ação/pressão cidadã devem intensificar sempre mais. No dia a dia, no modo de vida de consumo e de produção mas também nos eventos políticos maiores. Até porque é mais difícil para mídia corporativa ignorar os protestos e o fundo das reivindicações e questionamentos dos movimentos. As panteras sabem que contribuíram para esta visibilidade. Missão (provisória) terminada. Quem sabe na COP16 (Dezembro 2010, México, DF) 50 panteras nas ruas? |
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[1] que na base do ano escolhido, de fato, representava uns miseráveis 3%... [2] Retomando a avaliação da Iara Pietricovsky, do Inesc, que estava na COP15 (citada no Brasil de Fato, edição do 23 ao 30 de dezembro de 2009) [3]
Citado no editorial do Brasil de Fato, edição [4] Desde a segunda apresentação, um/a anônimo/a colocou a performance no Youtube. Há também uma entrevista da pantera Gigi para uma rádio canadense. [5] O grande premio foi ganho pela Monsanto que teve o cinismo de conseguir colocar uma certificação ecológica na sua soja geneticamente modificado, responsável de maior desmatamento e emissões de CO2 na extensão do seu plantio. [6] Os relatos da repressão eram terríveis com casos assemelhados a tortura física e psicológica. Prendiam arbitrariamente e deportavam as fronteiras. |
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