A coR do SAnguE

   
 
  

do espetáculo 
Muntu, do Banto, poder de realização
sobre as mulheres negras e o anti-racismo [(2001]
   


No hospital...
Doutor, doutor, meu marido, um acidente...

Enfermeira, enfermeira, sangue, urgente!

S
im, doutor

Enfermeira, cuidado, meu marido é O negativo!

Doutor, não temos este tipo de sangue no banco

Chame a central!

A enfermeira disca e está sempre ocupado
Ah, meu Deus, e agora, como fazer? ...   Aaah,
mas como sou estúpida! 
O negativo é meu tipo de sangue! Eu doou!


Heim? Sangue de mulher? Negra? 
Não!  Doutor, nãoooooo!

O quê?!  Mulher? Sim, senhor!  Negra?  Sim, Senhor!
E tem mais!    E tem mais!...   Lésbica!!
O marido tem uma ataque cardíaco fulminante
Aaaah!

O preconceito?
Mata!

 

 



E o sangue tem cor?
E o sangue tem sexo?
E o sangue tem cor?
Não é tudo vermelho?

Da Índia à Berlim,
De São Paulo à Paris,
Do Cabo à São Luis
A cor é sempre a mesma,
Vermelha!

Sangue é vida, 
é vida vermelha,
Não faz diferença...

O preconceito é que faz!

 

     

 arranjo
 virgínia cavalcanti

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